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Nestes meus 45 anos de jornalismo, vi e ouvi muito artista subi ao pódio e descer cambaleando, embriagado mais pela pernosticidade, pela vaidade e pela fama que teve, que orgulhosamente escorregou na falta de estrutura emocional e espiritual. Muitos ainda hoje se ufanam de ter deixado o álcool e as drogas, pois a decadência foi ainda mais contundente e viciosa. Muitos outros artistas também vi e ouvi começando dolentemente, na calma dos que buscam um sonho, mas que para achá-lo, precisam estar acordados, sem as estrelas dos céus utópicos e ilusórios. Estes ainda perduram na memória do povo. Mesmo passando pelos altos e baixos da gangorra dos modismos e da instabilidade própria do setor. Mas, têm o que mostrar, e muitos, dentre eles, continuam levando seu canto e encantando, pois souberam conservar princípios, sem anacronismos, portanto têm espaço também na mídia.Um artista em particular eu acompanho com bastante atenção: ADELMÁRIO COELHO, um cidadão baiano sem fronteiras, que conheci em Aracaju, mais precisamente numa das edições do Forrozão da Rua de Siriri, uma espécie de ressaca dos festejos juninos, criada e mantida pelo artista plástico Feliz Mendes. E foi este, que me apresentou o Adelmário Coelho, à época Iniciando o trabalho, desbravando caminhos, conquistando o público com seu carisma e com sua maneira simples de ser. Mesmo com diversos atributos inerentes a um artista, Adelmário Coelho surgiu com um diferencial extremamente importante, e para mim, condição "sine qua non" para um forrozeiro: a autenticidade. Ele bem poderia enveredar pelo modismo deturpado que violenta melodicamente a musicalidade do forró, como o fazem muitos grupos na corrida pelo espaço e preocupados com a competitividade que se instalou no setor, e por isso têm deixado um rastro de baboseiras e de vulgaridade, pelo esquecimento do canto e investimento maciço no encanto das formas opulentas da exposição feminina nas coreografias exageradas, iscas para fazer o povo engolir o pouco talento, a corrida pela remuneração, e a falta de autenticidade e respeito para com o forró. ADELMÁRIO COELHO foi devagar. Degrau a degrau. Público a público, com a certeza íntima dos destemidos, respeitando o canto, e buscando em cada canto o tom consciencial para afinar sua identidade, alimentado sempre por uma responsabilidade ímpar, misto de profissionalismo e determinação, vertentes que abriram trilhas e picadas na difícil faina do cantar, permitindo-lhe assim, construir cada jornada, sedimentando o caminho no amalgamar experiências, revelando em pouco tempo um amadurecimento precoce, calcado no talento e no destemor de materializar sonhos. Neste 2009, ADELMÁRIO COELHO está debutando. São 15 Anos de carreira, de luta, de estrada e muitas realizações. Lançou um primor de disco "ADELMÁRIO 15 ANOS DE PURO FORRÓ". Será um ano de festas, sem os acordes das valsas, mas no tom forte do forró e sua capilaridade, como forrozeiro autêntico e crente nessa musicalidade que empolga e deleita, particularmente para o sertanejo como ele, que nasceu e convive com esse embalo arroxado que contagia, cativa e vicia. E nesse deambular de vida, marcadamente ADELMÁRIO COELHO deu e dá uma lição de fidelidade às origens, ao cerne e conteúdo que o levaram a optar, não por esse estilo, mas por essa apoteose sertaneja, que representa e traduz festa em cada canto desse nordeste que se balança, nos mil trejeitos que o rítmo impõe e excita. Tudo isso marcou o artista, que escrupulosamente tem cuidado do repertório, sem esquecer de contextualizá-lo a uma direção que marca e identifica facilmente o seu musicar, tornando o destaque do triângulo, zabumba e sanfona uma candente tatuagem na sua trajetória, identidade fiel à linha dos precursores como Gonzagão, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Anastácia, Marinez, Nando Cordel, Trio Nordestino, Genival Lacerda, Valdones e essa leva de autores e poetas que jorram simbioses musicais, no conúbio incestuoso de letras primorosas e canções que se amasiam e se transformam em sucesso. Nesse novo álbum, acompanha-se e ratifica-se o gosto apurado e o exímio e seletivo cantor e intérprete como o é ADELMÁRIO COELHO, legando ao público, músicas e letras com gosto de mato e cheiro de interior, fórmula que o faz uma referência e um exemplo para quem imagina seguir os passos do forró autêntico, pois é possível nesse disco, viajar pelos meandros caminhos da vida rural, dos amores desfeitos e refeitos, e dessa gostosa vida feita de contrastes inebriantes e arroubos românticos prenhes de nordestinidade. (Luduvice José - Jornalista e Crítico de Arte)
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