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   Tribuna   
  Aracaju, Saturday, August 28, 2010  
 
A candidatura Serra
                                        
 
 
 
 

Paulo Roberto Dantas Brandão

Se as pesquisas eleitorais estiveram certas (e não há porque duvidar), parece que a vaca da candidatura do José Serra foi para o brejo. A esta altura do campeonato reverter não sei quantos pontos de diferença é uma tarefa inglória.
Independente de preferências eleitorais, ou dum futuro desempenho da Dilma como presidente, acho uma pena. O José Serra é um dos melhores quadros políticos que apareceram nos últimos tempos na política brasileira. Pelos cargos que ocupou, mostrou-se um administrador eficiente.
E a culpa do fracasso tucano, de quem é? Bom, sobra culpa para todo lado, segundo minha modesta opinião de leigo. Vai de Aécio, ao próprio Serra e chega à incrível popularidade de Lula, que elege qualquer coisa.
Aécio Neves cometeu um erro muito grave. Achou que uma derrota de José Serra o guindaria a líder da oposição. Não percebeu, porém, que para isso, porém, o PSDB teria que vencer as eleições em Minas. Quando Aécio acordou, e parece que abriu os olhos na semana passada, à coisa estava feia. Agora, o neto de Tancredo e ex-governador mineiro, tem um trabalho muito grande. Tem que vencer o candidato Hélio Costa, que lidera todas as pesquisas. Amigos meus entendidos de mineirice, dizem que ele consegue, mesmo com o seu candidato, Antonio Anastasia tendo o carisma de um pangaré doente.
Mas o prestígio de Aécio só iria mesmo às alturas se Serra vencesse em Minas. O que está difícil. Aí Aécio entra no dilema. Se entrar com tudo na campanha, pode reverter alguma coisa e dá uma luz à candidatura tucana. Se não, não terá o prestígio que pretendia.
E Serra? O jornalista Ricardo Noblat fez um comentário no seu blog há uns três dias, muito interessante. Disse que Serra negou-se a ser oposição. Tanto quando estava bem nas pesquisas, quanto agora, quando vai mal. Ora, só há confronto com o governo sendo oposição. Se não o é, a população prefere votar em quem é governo mesmo. E pronto. Pura verdade.
De mais a mais, não estou vendo ninguém do PSDB carregando o andor da candidatura Serra. Não tenho visto o Fernando Henrique, ou o Geraldo Alkimin, franco favorito ao governo de São Paulo, e virtualmente eleito. Por falar em franco, nem o candidato ao Senado Albano Franco tenho visto muito empenhado na candidatura Serra. Mas Albano é um caso à parte. Faz uma campanha "independente" de tudo, e está muito bem na fita, segundo sou informado.
Por fim, o que sinto é que a troupe de marqueteiros da candidatura de Dilma tem se mostrado muito melhor do que os marqueteiros de Serra. Os primeiros programas eleitorais, que no meu modo de ver são fundamentais, mostraram-se desastrosos para Serra, e muito bem construídos, os de Dilma.
Então não tem jeito. Com um cabo eleitoral contrário, que já se consolidou o grande eleitor, com quase 80% de popularidade, e somente desacertos a favor, a candidatura de Serra só poderia ir mal.

 
 
 
  Aracaju, Saturday, August 07, 2010  
 
Debate
                                        
 
 
 
 

Paulo Roberto Dantas Brandão

Tentei assistir ao debate entre os candidatos à Presidência da República, na quinta-feira à noite, pela TV Bandeirantes.  Confesso que não consegui.  Vi alguns pedaços.  Mas a coisa torna-se muito chata enfadonha com as regras rígidas, a partir de uma legislação eleitoral que a cada dia se torna mais castradora e idiota.
Ora, ninguém consegue exprimir um pensamento coerente sobre temas polêmicos em meros dois minutos.  Réplicas e tréplicas em um minuto, então, tornam-se sem qualquer sentido.  Diga-se de passagem, que o jogo São Paulo e Internacional, disputado quase no mesmo horário, tornou-se mais interessante.
Não sei quem “ganhou” o debate, mas estou convencido que isso não faz qualquer diferença.  Pelo menos com as nossas regras eleitorais.  Para as torcidas, aqueles que já definiram o seu voto, seu candidato foi o melhor.  Ouvi comentários que Plínio de Arruda Sampaio, com o seu socialismo extremado e démodé, teria se saído bem.  Atuando como franco-atirador, tirou casquinhas de todo mundo.  E que a simpática Marina apequenou-se.
Num debate eleitoral, um candidato só perde votos se tiver um desempenho péssimo.  Dizer alguma bobagem antológica, como Ciro Gomes que, num debate quando foi candidato, disse que a importância de sua mulher, a bela Patrícia Pilar, era dormir com ele.  Ferrou-se, o que foi muito bom, porque acho que seria um péssimo presidente.  Tirando um desempenho muito ruim, com escorregões como estes, ninguém perde ou ganha.  Tenho minhas dúvidas se um desempenho excepcional de um candidato, com uma performance muito acima da média, rende alguma coisa.  Acho que não.  Portanto, a regra para os debatedores é não dizer asneiras.  Se não escorregar feio, está de bom tamanho.
Um amigo meu, publicitário, versado em campanhas eleitorais, chamou-me a atenção para um fato.  Mais importante que o debate em si, é a repercussão do debate.  Ou seja, como os órgãos de imprensa e os formadores de opinião vêem o debate.  Se martelarem muito que alguém ganhou, pode haver ganhos.  Aliás, como aconteceu com o célebre debate entre Collor e Lula.  Apesar de imensa manipulação da Globo, que de fato consolidou Collor, o então “Caçador de Marajás”, como grande vencedor, eu desconfiava, à época, que se Collor não deslizasse feio, ele ganhava.  E foi o que aconteceu.  Acho que naquele debate, Lula não estava no controle.  Bastava Collor não fazer besteiras.  E ele não faz.  Deixou as bobagens para depois, quando foi eleito.
A grande esperança de José Serra era encurralar a Dilma.  Não sei quem se saiu melhor dos dois.  Mas isso pouco importa.  Dilma não fez besteiras.  Para ela está bom.  Acho Serra mais preparado.  Mas tenho certeza que não é pelos debates que vai encurralar a Dilma.
Enfim, os debates são muito bons como uma festa da democracia.  Mas numa eleição polarizada como a atual, só faria alguma diferença, se fosse um debate livre, entre Serra e Dilma, com regras mínimas, e tempo para falar o que quisesse.

 
 
 
  Aracaju, Saturday, July 17, 2010  
 
O crack
                                        
 
 
 
 

Paulo Roberto Dantas Brandão

Conversava essa semana num grupo de amigos sobre o problema das drogas. Minha opinião, já externada nesse espaço, é que nunca combatemos as drogas para valer. A lógica é simples: gastam-se bilhões de dólares por ano, fazem-se campanhas as mais variadas, e o consumo de drogas não diminui. Ora, se os resultados não aparecem, é porque algo está muito errado.
O mercado de drogas é grande, e muita gente vive dele. Portanto, o combate me parece ser apenas coisas para inglês ver. Ora, a única coisa estática nesse mercado é a produção primária: por exemplo, as plantações de coca. Portanto, acredito que o combate tem que se concentrar aí. Mas quando José Serra disse que o governo da Bolívia, o maior produtor mundial de coca, era conivente com o mercado das drogas, muita gente se doeu. Mas é a pura realidade.
Querem acabar com as drogas? É só os governos dos países consumidores pagarem mais do que os traficantes pagam pela folha de coca. Incentiva o plantador cocalero a plantar milho, e garanta a este um ganho maior do que com a coca. Todos eles vão deixar de plantar coca e passar a plantar milho. Ou outra cultura que valha.
Por outro lado as campanhas educativas só dizem que as drogas são ruins. Aí o garoto experimenta, e sente um grande prazer. Não acredita em mais nada do que dizem. Só quer curtir o seu barato.
Nas nossas divagações sobre as drogas, um psiquiatra amigo falou do crack. Conhecedor do problema por tratar alguns viciados, ele me deixou alarmado com o que falou. Disse que o crack é tão poderoso, que se experimentado por algumas poucas vezes tem o poder de viciar. Disse o amigo psiquiatra que, na nossa roda de bate-papo, dificilmente alguém ficaria viciado em álcool, por exemplo. Mesmo que tomássemos alguns porres. Mas se experimentássemos o crack ficaríamos viciados.
Outra coisa que me surpreendeu foi a quantidade de casos que foram sendo relatadas com famílias conhecidas por alguém da nossa roda. Jovens, de classe média alta, supostamente bem criados, freqüentando bons colégios, têm sido presos como traficantes, ou são surpreendidos por familiares como usuários de crack. Essa droga barata, com um forte poder de viciar, é o novo tormento da sociedade. Disse-me um policial civil que a maior parte dos crimes no estado envolve drogas, principalmente o crack. Já um advogado amigo alertou: não há ex-viciado em crack. Primeiro pelo poder da droga, e em segundo porque a expectativa de vida do usuário é muito curto.
Como o combate às drogas tem sido falho. E como o crack virou uma praga, uma epidemia, certamente teremos tempos sombrios pela frente.

 
 
 
     


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